União estável: como funciona o reconhecimento e o que ele muda na prática

A união estável tem efeitos legais parecidos com os do casamento, mesmo sem passar pelo cartório. Entenda o que ela reconhece e por que formalizar pode fazer diferença.

Bruna Sampaio Lacerda

Bruna Sampaio Lacerda

Advogada

Direito de Família2 minutos

União estável: como funciona o reconhecimento e o que ele muda na prática

O que caracteriza uma união estável

A união estável é reconhecida quando duas pessoas convivem de forma pública, contínua e duradoura, com o objetivo de constituir família, mesmo sem passar por um casamento civil. Não existe um prazo mínimo definido em lei para isso: o que importa é o conjunto de elementos que demonstram essa convivência como uma relação familiar, não apenas um namoro.

Por gerar efeitos jurídicos parecidos com os do casamento, como direito a herança e partilha de bens, a união estável costuma surpreender quem não sabia que estava, na prática, dentro dessas regras. É comum que dúvidas apareçam justamente numa separação ou depois de um falecimento, quando já é tarde para planejar com calma.

Por que formalizar por escritura

Mesmo sendo reconhecida de fato, a união estável pode e costuma ser formalizada por escritura pública em cartório. Esse documento declara o início da relação, e pode definir regras próprias sobre o regime de bens, algo que, sem ele, segue automaticamente as regras padrão da lei.

Formalizar não é sobre desconfiança entre o casal. É sobre ter clareza registrada, o que evita discussão sobre datas e sobre regras de partilha caso a relação um dia termine, seja por separação ou por falecimento de um dos companheiros.

Muita gente só procura orientação sobre união estável quando a relação já está em crise, mas o melhor momento para organizar essas regras é justamente quando o casal está bem, com cabeça fria para decidir.

Direitos que a união estável garante

Entre os efeitos mais relevantes estão o direito à partilha de bens adquiridos durante a convivência, conforme o regime aplicável, e o direito à herança, que coloca o companheiro sobrevivente numa posição jurídica comparável à de um cônjuge, a depender da composição da família.

Quando buscar orientação jurídica

Vale conversar com um advogado tanto para formalizar uma união estável já existente quanto para entender, numa separação, como os bens e eventuais responsabilidades devem ser divididos. Cada família tem uma configuração diferente, e o que parece simples de fora costuma ter detalhes que fazem diferença na prática.

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